
Janaina Costa Dias, com o marido Badui Al Jales e o filho Pedro. Foto: Victor Moriyama

Janaina Costa Dias, com o marido Badui Al Jales e o filho Pedro. Foto: Victor Moriyama
No Vale, 20% da população sofre com o problema. São 90 mil pessoas entre 20 e 49 anos só em São José e Taubaté. Clínicas apostam em técnicas modernas e no bom acolhimento para ajudar os casais a ter filhos
Xandu Alves
São José dos Campos
“Crescei e multiplicai-vos”, ordenou o Criador, segundo a Bíblia (Gênesis 9,7). E a humanidade obedeceu. Somos mais de 7 bilhões de habitantes no planeta, mas nem todo mundo consegue procriar naturalmente. Para estes, que são cerca de 20% da população, a medicina deu uma força e criou a reprodução assistida.
Casais que não engravidam por vias naturais puderam constituir família através das técnicas desenvolvidas em laboratório, a clássica fertilização in vitro, popularmente conhecida como ‘bebê de proveta’.
Mas a medicina foi além e criou maneiras de escolher o sexo e a cor dos olhos da futura criança, eliminar doenças hereditárias, gerar irmãos doadores perfeitos e até melhorar geneticamente o ser humano. Tudo muito polêmico, claro, e vigiado pelos órgãos de classe (leia texto nesta página).
Em São José dos Campos e Taubaté, que concentram quase a metade da população da região, cerca de 20% das pessoas entre 20 e 49 anos têm problemas de fertilidade. São 90 mil pessoas nas duas cidades. Para elas, as clínicas de reprodução humana assistida são o atalho para driblar a fisiologia.

O embriologista Guilherme Franco, da Clínica Embryolife, faz manipulação de esperma congelado. Foto: Victor Moriyama
Psicologia. Embora o assunto ainda seja marcado por preconceitos, mitos e tabus, especialmente por associar infertilidade com impotência ou desempenho sexual, a procura pela reprodução assistida na região cresce 20% ao ano desde 2008.
Para o especialista em reprodução assistida Antonio Carlos Franco, da Clínica Embryolife, de São José, desmistificação do tema e preço mais acessível foram responsáveis pelo crescente interesse dos casais. Antes, um tratamento para engravidar custava preço de um carro popular. Hoje, está em torno de R$ 10 mil.
A desmistificação do tema também ajudou a romper o silêncio dos casais. “Como ninguém chega para os amigos e assume que é infértil, o médico tem que ser psicólogo e saber acolher o casal com problema de fertilidade. Só sabe o que é o sofrimento quem passou por isso. Causa até separação.”
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